Câmara de Mauá vai investigar contratação da Suzantur pela Prefeitura.

Postado em: 5 dez 2013 | Por: | 1 comentário | Quero comentar! | 3.698 views

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Vereadores receberam denúncias sobre suposta manobra para volta de monopólio nos transportes em Mauá de forma velada. Batoré quer plebiscito sobre o caso

leblonVereadores de Mauá, na Grande São Paulo, vão investigar a contratação por parte do prefeito Donisete Braga (PT) da empresa de ônibus Suzantur, que atua emergencialmente na cidade. Não foi decidida a instauração de uma CPI ou de um trabalho em conjunto, ainda. Mas as investigações devem ser individuais.

Um dos integrantes do grupo “Política Sim, Patifaria Não”, responsável por movimentos sociais na cidade, Rafael Rodrigues da Silva, usou o espaço da Tribuna da Câmara, na sessão desta terça-feira, dia 03 de dezembro de 2013.

Queremos transparência, a exemplo dos vereadores que sequer foram comunicados sobre as alterações nos transportes da cidade que, por enquanto, só pioraram a situação dos passageiros. Essa Suzantur foi chamada às pressas por Donisete Braga. Mas por que tanta pressa?  Nós da população e os senhores vereadores não recebemos explicações claras e convincentes do prefeito Donisete Braga sobre as mudanças”.

Rafael entregou um dossiê a cada um dos parlamentares com informações que ligam a Suzantur ao grupo empresarial que monopolizou os transportes em Mauá por mais de 30 anos.

Os serviços de ônibus em Mauá sempre foram prestados por Baltazar José de Sousa e eram alvos de críticas da população. Em 2010, após uma licitação que até hoje é alvo de imbróglios judiciais, uma empresa do Paraná, Leblon Transporte de Passageiros, assumiu parte das linhas da cidade, no lote 02. A outra parte, no lote 01, continuou com Baltazar José de Sousa e parentes.

De acordo com documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo, a Suzantur pertence a Claudinei Brogliato e a Ângelo Roque Garcia.

A família, de acordo com o relato de Rafael na tribuna, controla o Banco Caruana S.A. Este banco financia ônibus para empresários como Baltazar José de Sousa. Inclusive, na plateia da Câmara, motoristas e cobradores que já atuaram nas empresas de Baltazar confirmam que os funcionários tinham um cartão de crédito do Banco Caruana, com desconto em folha de pagamento.

As ligações não terminam aí, de acordo com a documentação apresentada por Rafael Rodrigues. Como as antigas empresas de Baltazar José de Sousa, Viação Barão de Mauá e Viação Januária não poderiam participar da licitação dos transportes que foi recomendada pelo Ministério Público em 2006 e ocorreu em 2008, Baltazar José de Sousa criou a Viação Cidade de Mauá, Viação Estrela de Mauá e Trans-Mauá.

Para desconfigurar monopólio, Estrela de Mauá e Trans-Mauá, segundo relata com base na documentação, foram passadas para outros nomes.

A Trans-Mauá, uma das empresas que ao lado da Estrela de Mauá tenta judicialmente operar o lote 2 e tirar a Leblon, está no nome de José Garcia Netto (Netinho), que é um dos donos do Banco Caruana.

São muitos nomes em comum. Há grandes indícios que há uma manobra para voltar o monopólio na cidade, de forma disfarçada” – disse.

Os relatos surpreenderam os vereadores.

Vou analisar a fundo esta questão. São informações novas trazidas aqui e vou verificar de forma profunda a documentação. Eu já fiz um requerimento para o prefeito Donisete Braga explicar o que foi feito com os transportes. Mas não tivemos resposta nenhuma ainda. O legislativo foi excluído deste processo. Se acertar, Donisete Braga leva a glória sozinho, mas se errar vai se afundar sozinho” – disse o vereador Manoel Lopes dos Santos, do DEM.

O vereador Ivanildo Gomes Nogueira, o Batoré, do PRB, disse que quer fazer um plebiscito ou consulta pública para a população decidir o caso. Em seu discurso, Batoré foi interrompido pelo presidente da Câmara de Mauá, vereador Paulo Sérgio Suares, do PT, mesmo partido de Donisete Braga. Paulo Suares disse que Batoré não poderia falar sobre as empresas de ônibus porque o assunto não estava na ordem do dia. Imediatamente, os demais vereadores lembraram o colega petista que o assunto estava sim na ordem.

Eu gostaria e vou entrar com um projeto pedindo plebiscito para a população votar. Queira ou não queira, a Leblon é um exemplo. Ela é uma empresa com colocações invejáveis no transporte brasileiro. (interrupção de Paulo Suares)”

Batoré complementou no momento da interrupção: “É tão difícil falar sobre isso aqui em Mauá, porque os munícipes param a gente na rua para perguntar e a gente não poder falar …”

Ao ser lembrado que havia um requerimento sobre o tema, Paulo Suares deixou Batoré terminar o pronunciamento na tribuna.

É uma vergonha …Eu não consigo entender como é governar para o povo tirando uma empresa como a Leblon, com ônibus novos. Outra coisa, a Suzantur não tem carros para portadores de deficiência. Tem portas inúteis de um lado e uma porta só para as pessoas entrarem” – disse Batoré.

A Viação Cidade de Mauá e a Leblon foram consideradas inidôneas e descredenciadas por supostas consultas indevidas ao sistema de bilhetagem eletrônica. A Viação Cidade de Mauá foi multada em R$ 8,4 milhões e a Leblon em R$ 12,2 milhões. Os valores foram baseados pela prefeitura no número das supostas consultas não autorizadas.

Mas parecer da Corregedora Geral do Município, Thaís de Almeida Miana, de 27 de junho de 2013, acatou os argumentos da Leblon Transporte de que não houve invasão non sistema de bilhetagem e que a prefeitura não só autorizou como treinou as empresas para realizarem as consultas dos dados.

O parecer foi ignorado pelo prefeito Donisete Braga que em 18 de outubro descredenciou a Viação Cidade de Mauá e a Leblon Transporte.

A Leblon tinha um mandado de segurança que garantia suas operações, que foi derrubado depois de cinco recursos da prefeitura de Mauá. Hoje, sete das 18 linhas da Leblon são operadas pelos ônibus da Suzantur. A Viação Cidade de Mauá chegou a ter linhas operadas pelos mesmos ônibus, mas o grupo de Baltazar José de Sousa está em recuperação judicial por causa de problemas financeiros, trabalhistas e fiscais da Solimões Turismo, Soltur, empresa de Manaus. A recuperação judicial envolve 33 empresas de Baltazar, incluindo a Viação Cidade de Mauá. Como está em recuperação, a retirada dos serviços da Viação Cidade de Mauá compromete a arrecadação da empresa, o que acaba prejudicando a própria recuperação judicial em si.

Assim, uma decisão da Justiça de Manaus determinou a retirada dos ônibus da Suzantur das linhas da Viação Cidade de Mauá.  A Justiça de Manaus determinou ainda a retirada dos leitores de cartão magnético do sistema dos ônibus da Suzantur, o que não foi seguido pela administração municipal.

Apesar de alegar que entrou com recurso contra a decisão de Manaus, o embate maior da prefeitura é contra a Leblon.

A operação da Suzantur é criticada pela maior parte dos passageiros. Além de haver problemas como atrasos e superlotação, a população reclama das condições dos ônibus.

Os veículos são usados do sistema da Capital Paulista. Eles seguiam o padrão de carroceria da SPTrans – São Paulo Transportes, que tem corredores com embarque à esquerda.  Os ônibus operavam pela empresa Oak Tree, que faliu na cidade de São Paulo e que fazia parte do Consórcio Sudoeste, área 8 laranja.

Como Mauá não possui este sistema, as portas à esquerda do ônibus ficam ociosas, representando risco para os passageiros e redução do espaço interno. Por causa desta configuração, a catraca é no meio dos ônibus, o que dificulta a locomoção dentro dos veículos para os padrões operacionais de Mauá.  Os ônibus ainda possuem as cores do Consórcio e do sistema de São Paulo e alguns ainda têm o número de atendimento ao passageiro da Oak Tree. Com uma porta somente para embarque e outra para desembarque no lado direito, a entrada e a saída dos passageiros ficam prejudicadas.

A maior parte da frota não tem acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida.

Outro fator que chamou a atenção de Rafael e dos vereadores é que a Suzantur tem recebido ônibus já com a pintura padrão de Mauá.

Os veículos circularam pela Viação Estrela de Mauá, que tenta tirar a Leblon do lote 02 assim como a Prefeitura.

DONISETE DIZ QUE QUER IMPLANTAR UM NOVO MODELO EM MAUÁ:

O prefeito Donisete Braga, em entrevistas anteriores, disse que a mobilidade de Mauá não está satisfatória e que quer implantar um novo modelo, mais eficiente, na cidade.

Ele negou que persegue empresas de ônibus, em especial a Leblon.

Ônibus novos, terminais revitalizados, criação de uma gerenciadora de transportes (Mauá-Trans), GPS na frota, painéis com informação de horários nos terminais, estão nos planos de Donisete, que deve abrir um processo licitatório.

Ele disse visitou alguns sistemas, como o de Santo André, também no ABC Paulista, e de Indaiatuba, no interior de São Paulo, ambos operados pelo empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC, e de empresas de ônibus.

Nesta segunda-feira, Donisete Braga assinou com a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, o convênio para integração entre os ônibus municipais e o sistema ferroviário. A integração, que será inédita no estado de São Paulo, pelo uso de um cartão para os dois modais garante 50 centavos de desconto nas transferências, passando de R$ 6,00 para R$ 5,50.

 

Adamo Bazani

1 Comentário Quero comentar!

  • Gilberto Pereira — 6 de dezembro de 2013 @ 10:53

    Já está na HORA de começar o movimento da população de Mauá…FORA DONIZETE DA PREFEITURA…FORA PT…pt nun
    ca +…pt nunca +…pt nunca +…


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